Paramount oferece US$ 30 por ação da Warner Bros Discovery, superando oferta da Netflix 9 dezembro 2025
Luiz Guilherme 13 Comentários

Na segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, Paramount Global lançou uma oferta hostil em dinheiro por Warner Bros Discovery (WBD) a US$ 30 por ação — um valor que eleva a avaliação total da empresa para US$ 108 bilhões, incluindo dívida assumida. A proposta, divulgada às 15:00 UTC, supera em US$ 18 bilhões o acordo previamente fechado entre WBD e Netflix apenas três dias antes, em 5 de dezembro. O que parecia um fechamento histórico na indústria do entretenimento virou uma batalha épica entre gigantes do streaming, e os acionistas da WBD agora precisam escolher entre duas ofertas radicalmente diferentes.

Uma oferta que não foi ignorada — e nem bem recebida

Desde setembro, David Ellison, CEO da Paramount, tentou convencer o conselho da Warner Bros Discovery a negociar. Seis propostas. Doze semanas. Silêncio. Até que, sem aviso, a Paramount decidiu ir direto aos acionistas. "Os acionistas da Warner Bros merecem a oportunidade de considerar essa oferta", disse Ellison em comunicado. A proposta, financiada por US$ 41 bilhões em capital da família Ellison e do fundo RedBird, mais US$ 54 bilhões em empréstimos do Bank of America, Citi e Apollo, é puramente em dinheiro. Nada de ações. Nada de incertezas.

Isso contrasta fortemente com a oferta da Netflix: US$ 23,25 em dinheiro mais ações da nova entidade, valendo cerca de US$ 4,50 — totalizando US$ 27,75 por ação. Mas aqui está o ponto crítico: a proposta da Netflix exige aprovação regulatória em pelo menos cinco jurisdições, incluindo EUA, União Europeia e Reino Unido. A Paramount argumenta que, com a Netflix já dominando o streaming global, qualquer fusão com a WBD seria vista como um monopólio em formação. "A combinação de Netflix e WBD enfrentaria um processo prolongado e incerto", disse Ellison. "Nossa oferta é limpa, direta e garantida."

Por que a WBD rejeitou tudo antes?

Até o momento, o conselho da Warner Bros Discovery havia defendido a fusão com a Netflix, alegando que a combinação criaria um "campeão global" capaz de competir com a Disney e a Apple. Mas a Paramount aponta falhas estruturais nesse plano. Um dos maiores pontos de contestação: o acordo com a Netflix deixaria os antigos acionistas da WBD com uma participação minoritária em uma nova entidade chamada Global Networks — uma divisão com dívida pesada, ativos questionáveis e perspectivas de crescimento incertas.

"A valorização dessa divisão não tem fundamento empresarial", afirmou a Paramount em seu site StrongerHollywood.com, criado especialmente para explicar a proposta. "É um ativo apalancado, não um ativo estratégico." A empresa afirma que, ao adquirir a WBD inteira, a Paramount preservará todos os catálogos cinematográficos — de "Rocky" a "Game of Thrones" — e integrará os serviços de streaming em uma única plataforma capaz de desafiar a Netflix no território dela mesma.

Os números que ninguém quer falar

Se a Warner Bros Discovery desistir da oferta da Netflix, terá de pagar US$ 3 bilhões em multa. Um valor que, segundo analistas, pode pesar no balanço da empresa — especialmente se ela não conseguir fechar um acordo melhor. Mas a Paramount já calculou isso. E está disposta a pagar. "Nós não estamos pedindo permissão. Estamos oferecendo uma saída clara", afirmou um executivo anonimamente.

As sinergias prometidas pela Paramount são impressionantes: mais de US$ 6 bilhões em economias de custos nos próximos cinco anos, com redução de duplicações em produção, marketing e infraestrutura de tecnologia. Isso significa cortes, sim — mas também uma plataforma mais ágil. A combinação das bibliotecas de filmes e séries da Paramount (com "Star Trek", "Scream" e "Mission: Impossible") e da Warner (com "The Dark Knight", "Harry Potter" e "The Matrix") criaria o maior catálogo de conteúdo clássico do mundo — algo que a Netflix, apesar de seus investimentos em originais, ainda não possui.

Quem ganha com isso?

Os acionistas da WBD, claro. A oferta da Paramount representa uma valorização de 139% em relação ao preço da ação em 10 de setembro de 2025 — US$ 12,54. É um salto brutal. Mas o que realmente importa é a certeza. Enquanto a proposta da Netflix depende de aprovações que podem levar 18 meses — e ainda assim serem bloqueadas — a oferta da Paramount é imediata. Dinheiro na conta. Sem condições.

As autoridades regulatórias, por outro lado, têm motivos para se preocupar. Uma empresa controlando tanto conteúdo clássico quanto novos lançamentos poderia dominar o mercado de licenciamento. Mas a Paramount argumenta que sua proposta é mais fácil de aprovar: não cria um novo monopólio, apenas une dois já existentes. "A Netflix quer comprar um concorrente. Nós queremos comprar um parceiro que se recusou a negociar", disse um ex-funcionário da FCC, que pediu anonimato.

O que vem a seguir?

O que vem a seguir?

Agora, tudo depende dos acionistas da Warner Bros Discovery. Eles têm até 30 de dezembro para votar. A Paramount já começou uma campanha de comunicação direta, enviando cartas, vídeos e relatórios financeiros para fundos de investimento em Nova York, Londres e Singapura. A Netflix, por sua vez, está em modo de defesa — mas ainda não apresentou uma contraproposta.

Se a oferta da Paramount for aceita, a fusão pode ser concluída em até quatro meses. Se não for, a WBD terá que pagar os US$ 3 bilhões à Netflix — e enfrentar um futuro incerto, com dívidas altas e uma estratégia desacreditada.

Por que isso importa para você?

Se você assina um serviço de streaming, essa guerra entre gigantes pode mudar o que você vê — e quanto paga. Um único player com acesso a centenas de clássicos e novos lançamentos pode pressionar os preços. Ou, se a fusão falhar, podemos ver uma nova rodada de aumentos e cortes de catálogos. O futuro do entretenimento em casa está sendo decidido agora. E não é só uma disputa corporativa. É uma mudança cultural.

Frequently Asked Questions

Por que a Paramount insistiu tanto em comprar a Warner Bros Discovery?

A Paramount vê na WBD o último grande catálogo de conteúdo clássico que ainda não controla — filmes como "Harry Potter" e séries como "Game of Thrones" são ativos valiosos que faltam ao seu serviço de streaming. Combinar esses conteúdos com sua própria biblioteca permitiria criar uma plataforma mais competitiva contra a Netflix e a Disney+, além de gerar US$ 6 bilhões em economias operacionais. A empresa acredita que o mercado está pronto para um único grande player de conteúdo.

Qual é a diferença real entre a oferta da Paramount e a da Netflix?

A Paramount oferece US$ 30 por ação em dinheiro puro — garantido e imediato. A Netflix oferece US$ 27,75, mas parte em ações da nova empresa, o que expõe os acionistas da WBD à volatilidade do mercado e a um longo processo de aprovação regulatória. A Paramount argumenta que isso é mais arriscado, enquanto a Netflix diz que a combinação cria maior escala global. A escolha é entre certeza e incerteza.

O que acontece se os acionistas da WBD rejeitarem ambas as ofertas?

Se nenhuma oferta for aceita, a Warner Bros Discovery ficará em uma situação crítica. Terá que pagar US$ 3 bilhões à Netflix como multa por quebra de contrato, sem um novo plano estratégico. A dívida da empresa já é alta, e o mercado pode perder confiança. Ações podem cair para níveis de 2024, e a possibilidade de venda a um comprador menor — ou até de divisão de ativos — passa a ser real.

A oferta da Paramount tem chance real de ser aprovada pelos reguladores?

Sim, e essa é a aposta central da Paramount. Enquanto a fusão com a Netflix levantaria preocupações de monopólio em streaming, a aquisição da WBD pela Paramount é vista como uma consolidação entre dois concorrentes já estabelecidos. Reguladores nos EUA e na Europa já aprovaram fusões semelhantes no passado — como a da AT&T com Time Warner. A Paramount alega que sua proposta é mais fácil de justificar por não criar um novo líder no streaming, mas sim fortalecer um já existente.

Como isso afeta os assinantes de streaming?

Se a fusão acontecer, os assinantes podem ver menos repetições de conteúdo entre plataformas, mas também menos opções. A Paramount promete manter todos os catálogos, mas pode reduzir licenças externas para manter o conteúdo em sua própria plataforma. Isso pode aumentar o preço da assinatura, mas também tornar o serviço mais completo. Se a fusão falhar, a Netflix e a WBD podem aumentar os preços para compensar os custos da disputa.

Quem são os principais financiadores da oferta da Paramount?

A oferta é financiada por US$ 41 bilhões em capital da família Ellison (fundadora da Oracle) e do fundo de investimentos RedBird, além de US$ 54 bilhões em empréstimos garantidos por grandes bancos: Bank of America, Citi e Apollo. Esses investidores já demonstraram disposição para grandes apostas — e estão confiantes de que a sinergia entre as empresas justificará o risco, mesmo com juros elevados.

13 Comentários

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    Gustavo Souto

    dezembro 10, 2025 AT 03:25
    Paramount tá com dinheiro quente e quer comprar tudo. Netflix não tem coragem de ir até o fim. Essa é a guerra real, não essa farsa de 'conteúdo'.
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    Manuel Pereira

    dezembro 10, 2025 AT 20:32
    Cara, se a Paramount paga 30 por ação, isso quer dizer que WBD tá subvalorizada desde o começo. O mercado tá dormindo. A gente perdeu anos com essa merda de fusão. Agora tá na hora de acordar.
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    Thais Thalima

    dezembro 11, 2025 AT 10:44
    e se isso tudo for um golpe pra controlar a gente? tipo... e se a paramout tiver ligada com a masoneria? e se o david ellison for na verdade um clone do elon? eu to vendo padrões...
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    Ricardo Ramos

    dezembro 12, 2025 AT 15:17
    Tá rolando uma guerra de bilhões e ninguém tá falando do que realmente importa: o que vai acontecer com o HBO Max? Vai virar um lixo de anúncios?
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    ketlyn cristina

    dezembro 13, 2025 AT 05:24
    Isso vai acabar mal.
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    Adilson Lima

    dezembro 14, 2025 AT 21:27
    Essa oferta é como um dragão de fogo entrando numa biblioteca cheia de manuscritos antigos - tudo que era bonito, profundo, feito com alma, vai virar cinza e NFTs. A Paramount quer transformar o cinema em um jogo de casino com direitos de streaming. E nós? Nós somos as fichas.
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    Vania Araripe

    dezembro 15, 2025 AT 22:26
    será que alguém já parou pra pensar que talvez a gente não precise de mais um streaming? tipo... já tá cansativo. eu só quero assistir um filme sem ter que escolher entre 12 apps. e agora ainda tem que decidir se a empresa que faz isso é boa ou ruim? que pressão.
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    Luciano Hejlesen

    dezembro 16, 2025 AT 02:07
    A oferta de US$30 por ação representa um premium de 42% sobre o preço médio de 30 dias anteriores à proposta da Netflix. O múltiplo EBITDA implícito é de 11,8x, enquanto o da Netflix é de 9,2x. A estrutura de dívida é insustentável se os fluxos de caixa não crescerem 15% ao ano nos próximos cinco anos.
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    Caio Lucius Zanon

    dezembro 17, 2025 AT 11:17
    No Brasil, a gente nem vê metade do que rola lá fora. Se a Paramount comprar a WBD, vai ter que botar mais conteúdo brasileiro. Se não, o povo vai desistir. Nós não somos só um mercado de consumo, somos parte da história. Eles esquecem disso.
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    Vitor zHachi

    dezembro 18, 2025 AT 17:24
    Certo, a oferta é agressiva, mas isso é uma chance real de transformar a indústria. Se a Paramount conseguir integrar bem os catálogos, a gente ganha mais clássicos, menos repetição. Não é só dinheiro - é oportunidade. Vamos torcer pra que dê certo, e que a gente não perca a alma do conteúdo.
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    Luciano Apugliese

    dezembro 20, 2025 AT 11:08
    netflix nao fez nada so deu um pulo e sumiu e agora a paramout vem com 30 dolares e todo mundo acha que e milagre mas na verdade e so mais um truque de marketing e o povo cai como pato
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    Júlio Oliveira

    dezembro 21, 2025 AT 16:43
    A Paramount tá com o dinheiro da família Ellison e do Bank of America? Kkkkkk isso é uma farsa. Essa é a mesma banca que quebrou o Brasil em 2015. Eles vão te vender o seu próprio streaming e depois te cobrar pra assistir. 💸🔥
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    Ana Paula Ferreira

    dezembro 23, 2025 AT 03:58
    E se a Warner deixar o Batman de lado? E se o novo filme do Superman for só um comercial? E se a gente perder tudo que amamos? Isso não é negócio, é um assassinato cultural. Eles não entendem. Eles só veem números.

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