Review | Arquivos Paranormais

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Arquivos Paranormais é um RPG de mesa sobre fantasia urbana. Escrito por Jorge Valpaços e publicado pela AVEC Editora ele traz a proposta de ser um jogo narrativo sobre investigações de fenômenos, digamos, incomuns e fora do cotidiano.

Essa obra mistura um pouco de M.I.B com Os Caça-Fantasmas, mas, com uma proposta de ser adequado para todos os públicos. De forma detalhada o livro apresenta a proposta de criação de uma agência responsável por investigar os eventos fora do comum que acontecem no nosso dia a dia.

Desde objetos não identificados no céu, até sons estranhos em bueiros. Ao longo da jornada os Investigadores da Agência precisarão desvendar Casos, e, claro, sobreviver a eles.

A proposta adaptável de Arquivos Paranormais

Arquivos Paranormais, ao contrário de alguns RPGs que tem uma pegada mais dark e que focam em caçada de monstros, tem como proposta principal ser adaptável. Todo o sistema é construído para que grupos de jogadores de diferentes faixas etárias tenham total liberdade criativa, mas, se mantando sempre no foco paranormal.

Um dos aspectos que demonstra esse diferencial é a escolha de Tom que a sua Agência vai ter. É possível escolher desde um Tom  Prosaico e Anedótico (algo mais perto do nosso cotidiano e com estilo de crônica urbana, como um saci viciado em doces Fini que está aterrorizando as padarias da cidade) até um mais tenso e intenso, como o Profundo e Intenso (nele as escolhas são mais darks e podem envolver gatilhos como matar ou não o seu pai que foi possuído).

Dessa forma é possível criar uma narrativa que seja adequada ao grupo, de maneira que todos se sintam seguros e confortáveis com os elementos expostos.

Outro aspecto interessante é o sistema de protocolos de segurança. Basicamente são “alarmes” que podem ser acionados pelos jogadores para avisar que a narrativa está indo para um caminho onde nem todos se sentem confortáveis.

Isso acaba contribuindo muito com a sincronia dos jogadores. Afinal de contas, o principal objetivo de um RPG é sempre a diversão e entretenimento, e não causar desconforto e situações negativas.

Todos esses elementos de construção da aventura. Desde a formulação da Agência até a formação de Investigadores, são fáceis de visualizar através dos próprios exemplos elaborados pela equipe responsável pela publicação.

Esse é o tipo de coisa que não está muito presente em publicações do gênero.

O único ponto, digamos, “negativo” da obra é a falta de um bestiário ou quem sabe um guia criaturas, seres e fenômenos que pudesse servir de Norte e inspiração para a narrativa.  Provavelmente a falta desse elemento que é mais comum nos RPG se deve a proposta de liberdade de construção da obra.

Você pode escolher colocar qualquer coisa da fantasia urbana para a sua aventura. Sacis, Caiporas, Blood Mary’s, ET,s, elementais, demônios entre muitos outros.

Contudo, para quem está iniciando no mundo do RPG, ou até mesmo não conhece tantas lendas do gênero, esse guia ou bestiário ser de grande junto.

De maneira geral Arquivos Paranormais traz uma proposta de adaptabilidade muito bacana. Isso porque permite que “gregos e troianos” joguem, dentro de suas expectativas e limites.

Menção Honrosa ainda para as artes, muitas delas que claramente fazem referência a várias produções com essa pegada de fenômenos incomuns.

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