O que faz de Batman e Homem-Aranha os heróis mais populares do mundo?

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Os números são surpreendentes. De acordo com as próprias editoras e publishers, desde 1940, Batman já vendeu 460 milhões de HQs, sendo a segunda série com maior venda. A quantia do Homem-Aranha é um pouco menor, 360 milhões, na terceira posição. Porém, o cabeça de teia iniciou sua jornada solo na Marvel apenas em 1963, o que dá uma média anual de 6.6 milhões de exemplares – até 2017, contra 6 milhões do homem-morcego.

Em edições únicas, o Aranha tem três HQs na lista dos 10 mais vendidos da história, segundo dados da Comichron. São elas:

The Amazing Spider-Man #583  | 530 mil cópias

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The Amazing Spider-Man #1 | 559 mil cópias

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Spider-Man #1 | 2.5 milhões de cópias

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E o Batman tem uma, a ‘The Dark Knight III: The Master Race #1’, com 440 mil cópias.

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Os números mercadológicos provam que esses são os heróis mais populares do mundo, e não só no papel. Nas mais diversas mídias, o consumo de Batman e Homem-Aranha são expressivos. O primeiro longa do ‘amigo da vizinhança’, com Tobey Maguire, ficou de 2002 a 2017 como a maior bilheteria de um filme de origem de super-herói na história, sendo superado recentemente pela Mulher-Maravilha. Se isso não te surpreende, que tal ter todos os filmes, inclusive reboots, entre os 25 filmes de heróis de quadrinhos com maior bilheteria de todos os tempos?!

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Quando o assunto é cinema, o Batman patinou anos, até acertar em cheio com a trilogia do Cavaleiro das Trevas. É bem verdade que Batman Begins pouco impactou, mas preparou o terreno para os dois filmes seguintes, que levantaram a moral do morcegão e garantiram as duas maiores bilheterias da DC na história, à frente, inclusive, do atual longa da amazona. ‘O Cavaleiro das Trevas’ (2008) é, ainda, a quarta maior bilheteria de filmes de heróis de quadrinhos na história, com maior sucesso que outros títulos badalados da Marvel, como ‘Capitão América: Guerra Civil’.

Batman e Homem-Aranha também lideram a disputa de vendas em outras categorias de entretenimento, como games e licenças de produtos no geral. Na lista de games mais vendidos de todos os tempos, apenas dois heróis ocidentais aparecem. Três jogos do cabeça de teia figuram no levantamento:

‘Spiderman’ – PSX (1.8 mi)

‘Spiderman: The Movie’ – PS2 (1.9 mi)

‘Spiderman 2’- PS2 (1.6 mi)

O homem-morcego atingiu mais de 5 milhões cópias vendidas do ‘Batman: Arkham City’  e ‘Batman: Arkham Knight’- ambos multiplataforma.

Nas vendas de varejo e produtos licenciados, estão os dois lá, novamente (isso sem falar na diferença brutal de Marvel e DC).

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Aranha supera venda de produtos dos Vingadores e Batman bate de cinta de kriptonita no Superman.

Em abril, o eBay divulgou uma lista com os Vingadores mais lucrativos no site, desde 2012. Mesmo aparecendo num enredo já avançado no cinema, o Homem-Aranha superou Thor, Hulk, Homem de Ferro, Capitão América e Viúva Negra.

Popularidade dos heróis e identificação

O principal ponto para esses dois serem os heróis mais populares do mundo pode estar na identificação que o público tem com eles. Isso pode parecer estranho, já que um é playboy riquinho e o outro foi mordido por uma aranha radioativa. Mas a identificação vai além, adentrando no storytelling humanizado de vida de cada um.

A relação com os pais e parentes próximos é o foco dos maiores traumas dos dois heróis. Entre as semelhanças estão:

  • Morte que impactou diretamente nas decisões de suas vidas;
  • Ausência de seus pais;
  • Criados por outras pessoas;
  • Constantes questionamentos internos;
  • Culpa;
  • Vingança.

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Batman jura vingança a todos os criminosos pela morte dos pais.

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Peter se culpa pela morte de seu Tio Ben.

Todos esses elementos são, em essência, humanos e poderiam ser a realidade de qualquer pessoa, o que os tornam “frágeis”, como nós. Além disso, a falta de um poder sobrenatural do Batman, aliada à sua mortalidade comum, e a vida cheia de bullying e boletos de Peter, independente de seus poderes, são outros pontos focais de nossa identificação com os personagens “gente como a gente”.

Esses momentos de situações mais próximos à nossa vivência são baseados em “melodramas”, gênero teatral que passou a retratar histórias de pessoas comuns, como o proletariado (oi, Peter). E é no “melodrama” que a popularidade se esconde:

“Os espectadores, ao se identificarem, e a seus problemas, com os sofredores heróis e heroínas dos melodramas, outorgam grandeza às suas próprias aflições cotidianas e afirmam sua superioridade sobre outras pessoas que não viveram experiências emotivas tão profundas”

Herta Herzog

É no sentimento de apropriação dos problemas retratados nos personagens que enxergamos um herói que poderia ser eu ou você. Essa experiência é muito mais difícil de se transmitir por um alienígena super-poderoso que resiste a quase tudo e se esconde por trás de um óculos. Ou então por um Deus do Trovão. Ou por uma amazona. Por mais que todos esses tenham uma importância enorme e popularidade ainda maior na cultura pop.

Batman sob o olhar da Psicologia

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Assim como nós, todo herói tem pré-disposição a desenvolver algum transtorno psiquiátrico. Afinal, todo heroísmo parte de uma situação marcante, o que consideramos a “chamada para ação” da Jornada do Herói.

No livro “What’s the Matter With Batman?”, de Robin Rosenberg (coincidência, não?!), a escritora e psicóloga faz uma análise do comportamento do homem-morcego em busca de possíveis transtornos. O diagnóstico é que, apesar dos dramas pessoais colocarem o herói bem próximo de estados clínicos como Depressão e Transtorno Obsessivo-Compulsivo, não há qualquer transtorno. Veja só a análise resumida:

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Fonte: UOL

Caso queira ler o livro completo, ele está disponível na Amazon.

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