5 bosses que podem levar ao fim da E3

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Keanu Reaves, remakes, Zelda e promessas para o futuro. A E3 2019 esteve abaixo de outros anos.

O ano de 2019 deixou claro que o fim da E3 como conhecemos está perto. Com lançamentos aquém do esperado, poucas conferências de impacto, o caminho para uma remodelagem na maior feira de games do mundo passa muito por compreender as demandas do público atual e dos estúdios, além de observar a movimentação do mercado.

Em 2005, a Electronic Entertainment Expo teve seu recorde de visitantes com 70 mil pessoas no Los Angeles Convention Center, na Califórnia/EUA. Esse ano marcou o lançamento do Xbox 360, Playstation 3 e Nintendo Revolution (que teria seu nome alterado para Wii).

e3-2005
E3 2005

Porém, uma decisão controversa fez com que o evento focasse apenas na imprensa, deixando os gamers de lado. Resultado foi um número bem menor: 10 mil visitantes.

Desde então, a E3 teve que galgar seu crescimento novamente, até chegar muito perto da maior marca, com 69 mil pessoas em 2018. Na última edição, porém, esse número caiu. 66 mil pessoas compareceram à feira.

ANOPÚBLICO
199540.000
199657.795
1997
1998
1999
2000
2001
2002
200360.000
200465.000
200570.000
200660.000
200710.000
200810.000
200941.000
201045.600
201146.800
201245.700
201348.200
201448.900
201552.200
201650.300
201768.400
201869.200
201966.100
 

É claro que os números de visitantes não são, necessariamente, parâmetro para uma derrocada da E3, já que boa parte do seu conteúdo é transmitido ao vivo por canais como Youtube, Twitch e Facebook.

Mas somados a outros desafios complexos que a feira terá que enfrentar nos próximos anos, não é exagero imaginar que esse formato está com os dias contados.

Será que o evento está pronto para os bosses?

Boss 1: gigantes desinteressados na E3

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A desistência da Sony em participar da E3 2019 foi um dano considerável no HP da feira. E o motivo foi a falta de evolução do evento como produto atrativo ao mercado. Em entrevista à CNET, o executivo da gigante responsável pela Playstation, Shawn Layden, justificou: 

“Com nossa decisão de fazer menos jogos em grandes períodos de tempo, chegamos à conclusão que junho [época em que a E3 acontece] não era a hora certa para a gente anunciar algo novo.

As conferências, que são os loot boxes da E3, e que gera a maior repercussão, foram cada vez mais impactantes, se mostrando verdadeiros shows.

No entanto, a demanda por trailers e gameplays nesses momentos custaram a credibilidade de alguns estúdios. Isso porque para cumprir com a data da E3, como citou Layden, muitos desenvolvedores entregam algo que não é necessariamente o produto final, com downgrades perceptíveis.

Boss 2: horda de lançamentos paralelos à E3

Essa descrença nas conferências pré-E3 como principal canal de lançamentos não é nova. Em 2012, a Nintendo mudou a forma como participaria da feira a partir de então. Ficaram pra trás os altíssimos custos com um show presencial ao vivo e investiu-se, então, em um vídeo pré-produzido com todas as novidades da gigante japonesa.

Até aí, o prejuízo era grande, mas a Nintendo ainda estaria atrelada à E3 para seus lançamentos, certo? Errado! Com a consolidação do broadcast Nintendo Direct, várias novidades foram se diluindo durante o ano.

A Eletronic Arts também se rebelou. Com seu evento paralelo EA Play, passou a realizar uma conferência própria, em um local diferenciado da E3, com sua própria estrutura e regras. A relação com a E3, no entanto, manteve-se e a transmissão é feita para a feira.

Ao que parece, então, os rebeldes ainda não conseguiram ainda derrubar a E3. Mas a velocidade com que a informação tem chegado aos gamers tem diminuído o impacto dos lançamentos. O golpe da Sony e as poucas novidades de 2019 evidenciaram isso. Inclusive, a Sony deve investir mais em seu próprio evento, como explicou Layden, em janeiro.

Nós temos um evento chamado Destination PlayStation, no qual vamos trazer varejistas e parceiros terceirizados para saberem como será o nosso ano. Eles estão tendo essas discussões sobre vendas em fevereiro. […] E com a internet e o fato de que as notícias são espalhadas 24 horas por dia, a E3 perdeu seu impacto.

Até mesmo o maior concorrente, a Microsoft, admitiu que a perda de mais um gigante dos games enfraqueceu o evento. Em entrevista ao Giantbomb, Phil Spencer lamentou a ausência.

“Gostaria que a Sony estivesse aqui. A E3 não é tão boa quando eles não tão”

Boss 3: Google Stadia

Se as novidades de hardware e a próxima geração de consoles ainda são poucas, o surgimento do streaming de games em tempo real do Google, o Stadia, promete ser um combo doloroso para a E3. Isso porque a lógica da novidade é garantir velocidade no consumo de games. E os gamers não vão esperar até a E3 para saber os próximos lançamentos.

Já imaginou se a Netflix deixasse para anunciar suas principais novas séries, temporadas e aquisições apenas em um evento no meio do ano? Pois é. Isso sem falar que o Google tem no Youtube um trunfo e tanto para dominar o mercado de games.

E o Google Stadia é só o primeiro passo. Microsoft, Sony, Steam e outros poderosas distribuidoras devem seguir na mesma linha, assim que a tecnologia esteja consolidada.

Boss 4: novidades escassas

Tecnologias que não pegaram como se esperava, pouca criatividade da grande indústria de games, hypes flopados e entressafra de gerações. Esse grupo de bosses impactam diretamente na E3, mesmo que não seja de total responsabilidade da feira.

O fato é que, mesmo com excelente jogos pontuais, no geral vivemos uma falta de diversidade criativa no mundo dos games. Prova disso é que o vencedor de melhor game da IGN em 2018 e 2019 foi o mesmo título: Cyberpunk 2077.

Em meio a shooters mais do mesmo, lutas e esportes com apenas melhorias de gráfico e jogabilidade, overdose de Mario e Zelda, além de indies minimalistas, poucas são aquelas novidades que enchem os olhos.

Talvez por isso haja uma esperança tão grande no jogo futurista da CD Projekt Red, assim como no confuso game do Kojima, Death Stranding.

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A última vez que um jogo foi tão hypado assim pela sua inovação foi No Man’s Aky, game que permitia a exploração do universo e desenvolvimento de novas espécies de vida. Vencedor da categoria “Tecnologia mais legal” do prêmio da IGN na E3 2014, batendo até o Oculus Rift, o título foi lançado antes da hora, com diversas falhas, e flopou.

Aliás, falando em Oculus Rift, esperava-se uma verdadeira revolução na indústria com a chegada dos óculos de realidade virtual. No fim das contas, o alto investimento e os poucos jogos realmente bons pra tecnologia diminuiram o impacto da novidade.

Em 2015, a Microsoft, numa tentativa de concorrer com o Playstation VR, protagonizou um grande flop na E3. O HoloLens prometia uma imersão impressionante por meio da holografia. No fim, o projeto não conquistou os gamers e tomou a linha business, ainda com muita dificuldade em fazer bombar.

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Por fim, com a eminência de novos consoles da Sony e da Microsoft, o ritmo de novidades para a geração atual vai diminuindo e eventos nessas épocas sofrem com um interesse menor no games e a expectativa por notícias dos novos aparelhos (que nem sempre são superadas).

Boss 5: a própria E3

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Sabe quando você descobre que o próprio vilão da história é o próprio protagonista. Pois é, talvez o maior boss que pode levar a E3 ao fim seja ela mesma.

Isso porque a E3 tem potencial para se tornar mais que uma feira anual. O processo de transformação em um canal de conteúdo gamer, com produção própria, inclusive de outros produtos. Algo que o Rock in Rio, por exemplo, entendeu e faz muito bem.

Mesmo a Entertainment Software Association, responsável pela E3, não supre essa lacuna, já que traz uma discussão muito mais voltada para a indústria.

Algumas iniciativas nesse sentido já começaram. Em 2017, a E3 passou a produzir a E3 Coliseum, que funciona como painéis de discussões com desenvolvedores e creator do mundo dos games. 

Outro produto foi o E3 eSports Zone, uma frente de competições do evento, se adaptando também a esse mercado.

Assista a Smash Bros. Ultimate Drop-In Competition de e3esportszone em www.twitch.tv

Mas ainda é muito pouco. O potencial da marca é enorme, podendo, inclusive, caminhar com as próprias pernas, mesmo com a debandada das gigantes da indústria. Se a aposta for continuar sendo uma Eletronic Enterteinment Expo, o fim da E3 pode estar próximo e ainda como um game over sem continues. 

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