BRZ 2047 – Capítulo XII: A cidade certa

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Guarapuava/PR – 3 de fevereiro de 2047

– Eu ainda não acredito que você matou aquele cara – disse Alex, indignado, enquanto era carregado pelos ombros durante o vôo de carona com o vampiro militar.

– Bah, guri. Vê se não me torra. Eu estava com muita fome. Essas comidas de gente normal não me satisfazem – retrucou Sütter.

A viagem foi de quase 10 horas, desde que saíram de Mirassol/SP. Sobrevoando a cidade paranaense, a dupla inusitada nem queria saber de paradas. Quanto antes encontrassem o Pajé, melhor. Santa Catarina estava próximo e Chapecó era o destino. Uma pequena cidade no oeste catarinense. Os 200 mil habitantes do município ou morreram durante o massacre do exército brazileiro e dos misseis americanos, ou fugiram.

Algumas horas a mais, passando por cidades como Pinhão, Clevelândia e Xanxerê, e eles chegaram aonde queriam.

Chapecó/SC – 3 de fevereiro de 2047

Diferente das outras cidades fantasmas, Chapecó estava apenas abandonada, mas sem qualquer sinal de ar sombrio. Sem escuridão, sem neblina, sem garoa… Pelo contrário! Céu azul, ensolarado, um calorão, que fazia Sütter suar bastante.

Ao pousar, o garoto e o vampiro resolveram traçar uma estratégia.

– Guri, vá pela rua da esquerda, que eu vou pela direita. Quem ver algo de importante, derruba uma dessas casas ou prédio… Enfim, algo que faça barulho e levante fumaça.

– Fechado.

Sütter pegou a Rua Uruguai, enquanto Alex foi pela Av. General Osório. A chance de encontrar algo pelo chão não era muito grande e o Major logo percebeu. Por mais que fosse uma cidade considerada pequena, o Pajé podia estar em qualquer lugar. Pelo céu podia ser a melhor opção, se a cor da casa não fosse determinante para achar o cara. O vampiro decidiu então testar um dos carros abandonados ali. Era um Audi TT 2011. Um carro já ultrapassado, fora de linha, mas que poderia ajudar. Quebrou o vidro, soltou o pino de trava e abriu a porta por dentro, liberando a entrada. Depois, foi só aplicar alguns truquezinhos que se aprende na vida e voilà! – Tanque cheio… Ótimo! – pensou, ao ver o painel do automóvel. Acelerou com tudo nas ruas vazias de Chapecó.

Do outro lado, Alex já estava cansado de andar na loooonga Avenida. Foi quando sentiu um vento gelado. Respirou fundo e quando virou, um susto o derrubou para trás. Deu de frente com a menina fantasma de Nova Andradina.

– Vo… Você? Mas… Como? – questionou, perplexo, o menino

– Alice… Meu nome é Alice – sussurrou a garotinha morta

– Mas, por que? – Antes que continuasse com as intermináveis perguntas, Alice o interrompeu.

– Shiii! – lentamente, ela colocou a mão no rosto de Alex, que não entendeu, mas acatou. Após alguns segundos, Alice tirou a mão da face do garoto e ambos estavam na Rua Caxambu do Sul, em uma área mais residencial de Chapecó.

– Mas é claro… Estávamos procurando no Centro… Nunca iríamos achar! – pensou Alex, se dando conta da besteira que estavam fazendo. Alice apontou para a casa de três andares, decorada em azul e amarelo. Se o Pajé estaria lá, ela não sabia, mas Alex estava com a faca e o queijo na mão, agora era investigar.

Antes de averiguar a casa, Alice tirou o próprio colar em um formato de losango, segurou firme em sua mão direita, fechou o olho e se transportou para o objeto, que brilhou. Alex entendeu e decidiu carregá-la com ele, para onde fosse. Pegou o colar e prendeu em seu pescoço. Era hora de entrar.

Sütter dirigia a quase 190 km/h, e cumpria a rota de várias ruas, do começo ao fim, rapidamente. Ele sabia que uma casa como a citada por Alex seria fácil de identificar, mesmo nessa velocidade. Algo estranho começou a mexer no estômago do militar, que sentiu fortes empurrões na região. A dor aumentou muito e ele perdeu o controle do carro, que invadiu uma casa na colisão. O carro explodiu e no meio daquele desastre, Sütter foi arremessado para longe.

Aquele negócio continuava torturando o abdômen do vampiro, que se contorcia. Sua barriga foi aumentando de tamanho rapidamente, até que uma mão negra, com unhas afiadas, rasgou a pele e a roupa do Major, que gritava de desespero e dor. Logo, uma segunda mão ajudou a arregaçar a barriga de Sütter. O homem que teria sido estraçalhado e devorado pelo militar em Mirassol saiu de dentro dele e deixou um rombo na barriga de Sütter, que agonizava sangrando muito.

– Eu sabia que vocês me trariam pra perto do Pajé, seu militarzinho de merda! Agora é hora de matar aquele feiticeiro maldito. Obrigado pela carona, vampirinho. Hahahaha!

 

-Esta é uma série de ficção e nada do que foi escrito aqui condiz e/ou foi baseado em fatos reais ou opinião de seus autores. A obra é de direito restrito do site Sintonia Geek Magazine e sua reprodução é regrada à prévia autorização de seus criadores-

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