BRZ 2047 – Capítulo IX: O caminho

Autor

Categoria

Compartilhe

herios-brasileiros-historia

Nova Andradina/MS – 24 de janeiro de 2047

Os primeiros passos foram para reconhecer o local. Recepção larga, escura, gelada e com um cheiro de podridão que embrulhou o estômago de Alex. Para as almas era fácil, não sentiam cheiro mesmo. Mas ele resolveu seguir em frente. O que quer que tivesse ali, parecia ser importante. E agradar aquela linda fantasminha era prioridade.

Na primeira sala da Prefeitura, nada. Apenas o eco de seus passos e aquele odor. Um longo corredor terminava em três portas: uma na esquerda, uma na direita e uma mais em frente. Ao chegar mais próximo, viu que a porta da direita era corta-fogo, para emergências. Da esquerda estava emperrada. Sobrou, então, ir em frente.

É estranho pensar que um menino que era meio alien meio humano, que teve uma mãe de outro planeta, que virava um monstro e que viajava com um vampiro, tivesse medo de fantasmas e assombrações. Mas ele tinha. Fã de filme de terror, pulava do sofá a cada cena mais horripilante. Porém, ali não era ficção, era real.

Decidiu então abrir a porta com calma. Muita escuridão, mal conseguia enxergar. Um barulho veio da direita, o suficiente para que ele se assustasse levemente. Era uma lanterna. Conveniente… Nem tanto. Parecia mesmo ter sido jogada por alguém ali. Seria aquela bela garota? Ele não fazia ideia, só pensava em sair o quanto antes daquele lugar.

Ligou a lanterna e viu uma sala completamente vazia, com apenas uma lareira no fundo. Era a sala de reuniões.

– Luxuosa. – pensou.

Piso de madeira maciça de ipês, teto alto, com um lustre de diamantes. Girou a visão, até que encontrou um interruptor próximo à lareira. Ao clicar, acionou um projetor, que desceu do teto e jogou uma imagem pausada na parede. Eram as gravações de câmeras que haviam registrado todos os movimentos de Alex e Sütter em Batayporã.

– Como? Esse lugar pode não estar abandonado a tanto tempo assim! – pensou alto Alex.

A menina reapareceu após Alex sentir um vulto em seu cabelo. De frente pra ele, deu duas palmas, acendendo o lustre no teto. Assim que a luz surgiu, ela desapareceu. A sala ficou completamente iluminada, com o reflexo daquele belíssimo lustre. A claridade revelou mais sobre a lareira. Chegou mas perto e esticou a cabeça. Era mais fundo do que parecia. Cabia duas pessoas la dentro e em pé.

Sem pensar muito adentrou à passagem. Uma porta dupla abriu em sua frente, era um elevador cromado. Onde podia dar? O medo já estava anestesiado. Agora não tinha volta. Como uma fumaça que se formou em humana, a menina apareceu já dentro do elevador e acionou o único botão. O elevador começou a descer.

À medida que descia, o cheiro de podridão só aumentava. Alex começou a ter ânsias, mas segurou firme. Até que, enfim, o elevador chegou ao destino. Um andar subterrâneo muito bem iluminado, que logo na entrada disponibilizava máscaras. Era tudo que Alex precisava. Seguiu em frente pelo corredor único. Até que algo nas suas costas o chamou atenção:

– Senhor Alex. Que prazer vê-lo aqui – disse em tom irônico Franco, o recepcionista do hotel de Batayporã.

-Você! Mas… Como? – disse em voz abafada pela máscara. Ora, havia apenas um corredor retilíneo. Como alguém teria o surpreendido pelas costas?

– Ah, meu querido. A sua alminha penada aqui é uma excelente manipuladora de imagens reais, pode fazer alguém ficar invisível em menos de um segundo – Franco chamou a menina mais perto dele enquanto falava.

– Mas… Por quê?

– Você foi uma isca fácil. Agora siga em frente, porque você tem um encontro com o Senhor Dória.

Franco logo empurrou Alex, que começou a preparar sua pele ácida para atacar o recepcionista, com borbulhas.

– Alex, Alex… Você é patético. Vai me atacar? É uma pena que você não tenha cuidado com o elemento surpresa – Neste momento, de trás do garoto, dois golpes incrivelmente rápidos de uma espada cortaram os dois braços de Alex, que ainda não havia preparado sua pele para resistir a qualquer material. Alex olhou surpreso para seus dois braços caindo e seu sangue jorrando dos dois lados, que nem teve tempo de sentir dor. Com uma cara espantada virou para trás, buscando ver o que havia lhe atacado daquela maneira. Era… Outro Franco! Idêntico!

– Co… Como você… Ele… – gaguejava Alex, quando finalmente sentiu a ríspida dor dos cortes. – AAAAAHHHHH – gritou rasgadamente.

– Conheça o Franco clone. Lindo não é? Presente do meu patrão. E quanto aos seus bracinhos, não fica triste. Em breve vamos cortar suas duas pernas e aí te arrumamos um emprego de peso para papel. HAHAHAHA.

– Só não corto agora, porque não tô com paciência para carregar criança por aí – disse o clone, ainda armado com a espada.

Do início do corredor, assistia àquela cena a menina fantasma. Lágrimas reais caíram do olho dela.

Se esvaindo em choro no rosto e sangue nos ombros, Alex foi forçado a seguir andando, mesmo que cambaleando. Uma porta à sua frente abriu automaticamente. Era um enorme laboratório todo branco e lá em cima, envolto em correntes, estava Sütter, capturado no centro da cidade. Franco agachou e sussurrou no ouvido de Alex:

– Agora é que a festa vai começar.

-Esta é uma série de ficção e nada do que foi escrito aqui condiz e/ou foi baseado em fatos reais ou opinião de seus autores. A obra é de direito restrito do site Sintonia Geek Magazine e sua reprodução é regrada à prévia autorização de seus criadores-

Autor

Compartilhe