BRZ 2047 – Capítulo VI: A primeira cidade

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Presidente Prudente/SP – 22 de janeiro de 2047

A primeira cidade fantasma que Sütter e Alex planejaram ir era Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul. Isso porque era a mais perto de São Paulo, logo, faria sentido ir primeiro para lá. A rota estava traçada. O percurso para achar o tal pajé poderia durar meses, pelas sete cidades fantasmas do Brazil. Ou, com sorte, eles podiam ter acertado de primeira.

Primeiro um descanso para que o corpo de ambos se curassem das diversas feridas da batalha. Depois, o planejamento, para então começar a viagem. Nisso foram oito dias e a inusitada dupla pairava sobre Presidente Prudente, no caminho para Mato Grosso do Sul.

– Eu tenho mesmo que ir desse jeito? – questionou Alex, mediante sua posição naquela viagem. Estava sendo carregado pelas costas da camiseta, já que voar com as asas de Sütter era o meio mais rápido de chegar ao destino.

– Se tu quiseres ir voando, sim. Mas se preferir, deixo você na estrada e vai a pé – ironizou o vampiro.

– Ah, qual é?! Deixa eu ir nas suas costas, fica mais fácil.

– Tá achando que sou o que, guri? Seu bichinho de estimação? Era só o que me faltava, tchê. E tem mais, se segura que vou acelerar ou não chegamos hoje em Nova Andradina.

Nova Andradina é uma cidade do sudeste de Mato Grosso do Sul. Um polo econômico do Estado. Foi lá que os soldados que vinham da Bolívia para ajudar o exército sulista foram surpreendidos por um ataque brazileiro. Um massacre. Todos os militares bolivianos foram rendidos e mortos no centro da cidade, sem dó e nem piedade. O fato gerou revolta da população do município, que saiu para enfrentar o exército de Remington e Porto. Novo massacre. A ordem era atirar para matar. Dos 50 mil habitantes, 6 mil fugiram e o restante foi assassinado brutalmente.

Das sete cidades fantasmas brazileiras, apenas essa era mato-grossense. Conhecida como a capital do boi, por conta de sua economia voltada à pecuária, não se sabe o que aconteceu com os animais. Isso porque apenas almas vagavam pelo local. E almas não podem alimentar seres vivos.

Batayporã/MS – 23 de janeiro de 2047

– Falta muito? – perguntou Alex.

– Não, guri. Mas já passa da meia-noite. É hora de dormir. Vamos ficar por aqui, em Batayporã. Aqui estamos a 15 minutos voando de Nova Andradina – disse Sütter, com uma surpreendente calma paternal.

– Mas porque não vamos direto pra lá? – perguntou, novamente, o garoto.

– Primeiro porque não conhecemos lá. Não sabemos o que nos espera. Segundo que lá é uma cidade fantasma, não tem comida… E eu estou morto de fome. E terceiro que tu és uma criança, precisa dormir. Aqui podemos achar um hotel com pessoas.

– E você?

– O que tem eu, guri?

– Você é vampiro… Gosta da noite, não precisa dormir.

– Tem muita coisa sobre vampiros que as pessoas não sabem. É verdade, eu prefiro a noite, mas tive que me adaptar, já que tenho que viver entre as pessoas. Estou exausto… É aqui, chegamos.

Sütter e Alex pousaram atrás de uma casa, no centro da pequena cidade, de apenas 4 mil habitantes pós-guerra. Apesar de não ser um município com muito destaque nacional, Batayporã estava muito bem conservada, diferente das ruínas da maioria das cidades pelo Brazil. Mas como?

A dupla se encaminhou rumo a um belo hotel de luxo, ao lado de um cassino. Ambos pareciam bem movimentados pra um local com tão poucas pessoas. Logo na recepção do hotel, um homem bem apessoado, com um topete impecável feito com muito gel, dentes brancos, vestido de terno, gravata dourada e belos sapatos engraxados.

– Olá, sejam bem vindos ao Doria Hotel. Em que posso ajudar? – disse o belo rapaz.

– Um quarto pra dois, por favor – respondeu Sütter.

– Me desculpem a indiscrição, mas… Vocês sabem que esse hotel é bem caro, não sabem? Por acaso vocês têm dinheiro? – questionou o recepcionista identificado no crachá como Franco. A pergunta era pertinente, já que, desde o ocorrido, Sütter não tinha feito a barba. Além disso, a roupa de ambos estavam com marcas de sangue e rasgadas em algumas partes.

Sütter preparava as garras para atacar, pois sabia que não teria o dinheiro. Mas Alex tratou de resolver.

– Isso serve? – perguntou o menino ao entregar um cartão de crédito presidencial, que havia sido criado para ele.

– Uau, um cartão presidencial, senhor Alex Oliveira Óreon?! – disse Franco, com um olhar de surpresa e suspeita.

– Menos perguntas e mais trabalho, porque to ficando envaretado contigo, rapaz – disse no seu sotaque gaúcho, o Major Sütter.

– Como não? Com um desse eu posso entregar a vocês a suíte presidencial. Heitor, acompanhe esses cavalheiros ao nosso melhor aposento – ordenou Franco.

– Pois não. Senhores, por aqui – indicou o serviçal Heitor.

Alex e Sütter entraram no elevador junto ao Heitor e subiram rumo à cobertura, no 35º andar. Assim que a porta se fechou, o simpático sorriso de recepção de Franco, se tornou uma aparência de preocupação. Imediatamente o rapaz pegou o telefone e discou.

– Señor Doria… Tenemos un problema.

 

-Esta é uma série de ficção e nada do que foi escrito aqui condiz e/ou foi baseado em fatos reais ou opinião se seus autores. A obra é de direito restrito do site Sintonia Magazine e sua reprodução é regrada à prévia autorização de seus criadores-

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