BRZ 2047 – Capítulo IV: A fuga

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São Paulo/SP – 14 de janeiro de 2047

Planejado ou não, a ideia de Remington de colocar Alex para enfrentar Sütter se concretizou. O menino estava enfurecido. Olhava para o militar com uma raiva descomunal.

– Você vai pagar! – cochichou Alex, com lágrimas no rosto.

– Cale a boca, guri inútil. Você é só um peão no meio desse jogo todo, não faz a menor diferença. E é por isso que vou tirar você do meu caminho – retrucou Sütter.

– Não deixe ele falar desse jeito com você, A2. Mate ele! – gritou do canto do salão principal do QG, Remington.

– Não me chame de A2! – respondeu, enfurecido Alex.

– Não se preocupe, Remington, o próximo será você – disse o vampiro.

Remington não demonstrou, mas estava preocupado com o desfecho daquela batalha. Seria A2 suficientemente forte para acabar com aquele monstro?

Já começava a anoitecer e Alex estava pronto para a luta. Seus poderes eram uma incógnita, inclusive para ele. O Major preparou mais uma investida com um voo rápido. Abriu novamente as asas, externou suas unhas e seus dentes caninos e partiu para cima de Alex. O garoto olhava concentrado para os movimentos do adversário.

Na investida, Sütter segurou o pulso do braço esquerdo de Alex e começou a puxá-lo. Alex fechou o olho e borbulhou sua pele, deixando-a ácida, como fez A1. Sütter sentiu uma queimação em sua mão e foi obrigado a largar o menino.

Alex caiu e se levantou rapidamente. Esticou seu braço como uma borracha e agarrou a asa direita do vampiro, jogando-o em seguida com toda a força na parede. Sütter tinha percebido que aquilo não seria fácil.

– Maldito guri! É muito forte! – pensou Sütter.

Enquanto se levantava aos poucos, Alex se preparava para mais uma investida. Corria em direção ao vampiro e mais um braço de cada lado de seu corpo surgiram. Quando Sütter levantou a cabeça, viu Alex o pegar pelo pescoço com uma das mãos, segurar as duas asas com outras duas mãos e socar seu rosto com a mão restante. Uma sucessão de golpes, em conjunto com um estrangulamento ácido, que abria a ferida cicatrizada, causada por A1.

O rosto do Major já esvaía de sangue. Os olhos do menino estavam tomados de fúria e raiva. A vingança era eminente. Ao que parecia, Alex mataria Sütter, que mal tinha forças para tentar tirar as mãos do garoto de suas asas. Era um massacre.

Alex largou Sütter, que beirava o desmaio pelos golpes na cabeça e as profundas queimaduras no pescoço e asas. Os braços “extras” de Alex se recolheram no corpo e o menino meio alien, meio humano, transformou um de seus dois braços restantes (o direito) em uma lança afiada e ácida. Era o golpe de misericórdia.

– Isso é pelo meu pai! – gritou o menino, sedento de vingança, antes de acertar um golpe certeiro no estomago de Sütter, que atravessou seu corpo. O militar nem conseguia reagir e, antes de perder a consciência, questionou:

– Onde está Remington?

Alex arregalou os olhos, largou Sütter, e tratou de dar uma olhada em 360º em todo o salão. Era isso… Seu próximo alvo de vingança, responsável pela morte de sua mãe, havia fugido por uma das janelas do QG.

– Mas… Como não vi? – pensou Alex sobre a fuga de Remington. Pudera, totalmente cego pelo desejo de vingança, não viria nada que não fosse o rosto de Sütter todo arrebentado depois de uma boa surra. Jovem, com apenas 13 anos, o menino meio alien/meio humano não sabia de uma regra de batalha: jamais dê as costas ao seu inimigo.

Enquanto Alex analisava a fuga, um forte chute o atingiu na nuca, fazendo com que o garoto voasse na parede com uma força que chegou a quebrar parte da estrutura de tijolos. Era Sütter, recuperado de um leve desmaio, mas ainda bastante debilitado, aproveitando um momento de distração para contra-atacar. Afinal, um vampiro não é derrotado sem que sua cabeça seja decepada.

Ainda esvaindo em sangue e com um buraco no estômago que lhe diminuía a velocidade e capacidade para luta, o Major viu ali a oportunidade para acabar com o pequeno monstro. Logo em seguida ao golpe, partiu para cima de Alex, recém caído no chão, e aproveitou para espancá-lo. Socos alternados, sem muita velocidade, mas suficientes para imobilizar A2.

Sütter sabia que se desse trégua, poderia ser seu fim. Tratou de pegar o garoto pelo colarinho e alçar vôo até o alto teto do salão.

– Morra, monstrinho! – disse o vampiro, antes de largar Alex, que não conseguia reagir, tamanha força dos golpes recebidos (ainda era só um menino). A queda de metros de altura fez com que o garoto caísse com muita força no chão, ficando quase imóvel.

Uma voz eletrônica anunciava: “Atenção! Sistema de emergência presidencial ativada. O prédio será autodestruído em 5 minutos. Repetindo. O prédio será autodestruído em 5 minutos”.

– Espera lá… O sistema de emergência do QG presidencial só pode ser ativado da sala de proteção máxima… Como Remington chegou tão rápido lá? – pensou Sütter. Por ter lutado a favor do Brazil contra o Sul, ele sabia de alguns segredos de segurança, como a sala de proteção máxima, uma construção subterrânea feita de diamante, localizada abaixo de uma chácara humilde, em Recife/PE (cerca de três horas de avião). – Em menos de uma hora ele chegou lá? Como? Será que não ouvimos um helicóptero levantar vôo? – questionou em pensamento.

O tempo para pensar era curto. Sütter ao menos sabia que Alex não seria mais um problema, já que explodiria junto com o QG. Do lado de fora, o alarme sonoro do QG não podia ser ouvido e todo indício da invasão do vampiro, desde o começo, foi contornada pelo sistema de ofuscamento de evidências do próprio prédio, para não criar suspeitas, curiosidades e pânico na população quanto às questões presidenciais.

O tempo estava acabando. As portas e janelas haviam sido seladas por proteções de metal, para que os ruídos não se dissipassem afora do QG. Não havia saídas disponíveis. Apenas algo muito forte ou corrosivo podia ajudar. Algo como… Alex?

-Esta é uma série de ficção e nada do que foi escrito aqui condiz e/ou foi baseado em fatos reais ou opinião de seus autores. A obra é de direito restrito do site Sintonia Geek Magazine e sua reprodução é regrada à prévia autorização de seus criadores-

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