BRZ 2047 – Capítulo III: O bastardo

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São Paulo/SP – 14 de janeiro de 2047

Levou um tempo até Sütter se recuperar da queimadura no pescoço. Durante um dia e meio ficou apenas repousando, sentado na sala de radares destruída pela batalha com A1. Pensativo, tinha várias dúvidas na cabeça.

– Estranho… Já fez mais de 24 horas que matei A1. Desde então, nada de alarmes, exércitos, nem A2. É um silêncio irritante. Sabem que estou aqui! Me viram nas câmeras. O que estão esperando?

O que o Major não sabia é que o QG foi evacuado. Porto, cumprindo ordens de Remington, emitiu um alerta geral para que todos saíssem do local. Ora, se o vampiro passou por todo o sistema de defesa aérea e assassinou A1, humanos seriam trucidados por ele.

Sütter resolveu se mexer. A ferida tinha cicatrizado, o sangue havia estancado e ele estava alimentado, pois encontrou um militar escondido, que não havia conseguido fugir. Estava pronto para continuar a caçada pelo presidente brazileiro.

Se levantou e saiu pela porta de emergência que dava às escadarias. Sua sorte é que como foi peça fundamental na guerra sulista, visitou o quartel general diversas vezes. Sabia onde era o salão principal da presidência.

– Aquele alienígena desgraçado conseguiu derrubar gotas de meleca ácida na minha asa. Bosta! Vou ter que subir 15 andares a pé. – pensou.

Começou então o longo caminho.

No salão principal, Porto e Remington planejavam o próximo passo.

– Você não pode mandar o Alex, Remington. – disse Porto

– Eu não quero esse vampiro aqui no meu salão principal! Ele pode trazer grandes problemas para nós. Quer jogar tudo o que construímos no lixo? – retrucou Remington.

– Temos um exército com milhões de homens prontos para qualquer batalha, as armas mais modernas… E se precisar, gritamos para nossos irmãos norte americanos.

– Não quero ajuda de lá. Como vão acreditar no nosso projeto se não conseguímos manter nem nossa própria segurança? Esse vampiro vai matar todos os nossos homens, vai passar por qualquer arma e, pior, pode convencer todos os militares a concordar com o plano dele. Não há outra alternativa.

– Sempre há – disse Helena, uma bela alienígena, princesa do planeta Óreon. Sua população extraterrestre entrou em acordo de sobrevivência com a Terra. A1 era de lá. – Eu te proíbo de fazer isso, Remington.

– Agora não Helena. – disse o presidente brazileiro. – Tenho coisas mais importantes para pensar, além do puro amor maternal.

– Pois se quiser colocar meu filho para lutar com o vampiro, terá que me enfrentar primeiro. – afirmou a alienígena, já borbulhando sua pele.

– Helena, não faça isso! – implorou Porto.

– Ouça-o, Helena. Não seja idiota de me enfrentar.

Helena se enfureceu e começou a sua transformação. Mais dois braços surgiram de cada lado do corpo, seu pescoço alongou-se e ouviu-se um enorme grunhido da alienígena, agora não mais com uma aparência humanóide e sim um monstro.

– Saia daqui Porto! – Disse em voz grave e distorcida, o monstro Helena.

Porto correu para a sala de reunião e se trancou por lá. No hall presidencial, Remington estava de braços cruzados, esperando pelo ataque de Helena.

– Se quer mesmo me enfrentar, vai em frente. Mande essa gosma ácida. Mas eu levarei isso às autoridades da Terra e seu povo vai sofrer.

– Como se atreve, Remington? Morra!

Helena corre em direção a Remington, que nem se mexe. Pega-o com os seis braços, abre a boca e se prepara para despejar uma enorme quantidade de ácido. Remington apenas ri e vê que Alex, um menino de 12 anos, espiava a batalha por uma fresta de porta, do corredor principal.

– Veja bastardinho de merda! Veja o que eu faço com a sua mamãe monstro! – grita Remington.

– Alex? – questiona Helena, ao interromper o golpe E olhar para seu filho.

Aproveitando o momento de distração, Remington aciona com um pequeno controle o sistema de irrigação da sala, anti-incêndio. Porém, não era água que jorrava, e sim óleo de Górgona. O líquido foi solidificando Helena, que se contorcia no chão, ao largar o presidente.

– Mamãe! – gritou Alex, abrindo a porta apressadamente para correr em direção à Helena.

– Fique onde está, meu filho! – alertou a alienígena, sabendo que aquilo podia prejudicar Alex.

– Tarde demais Alex. Com essa quantidade de óleo de Górgona, sua mãe vai virar pedra! Morra, monstro asqueroso.

Com os movimentos petrificando-se, Helena foi solidificando. Se com pouco óleo A1 teve sua pele humanizada, aquela chuva de Górgona deixou a princesa de Óreon completamente solidificada, como pedra. Remington, todo molhado, seguiu até sua mesa, esticou a mão abaixo dela e pegou uma espingarda calíbre 12 – mas porque ele não foi atingido pelo líquido?

A irrigação cessou, Alex começou a correr até o corpo petrificado de sua mãe. Mas era tarde. Com um tiro à queima-roupa, Remingtou pulverizou Helena.

– Nãããããão! – gritou Alex.

– Agora você sabe do que sou capaz. Sua sorte é que preciso de você. Mas não me desafie!

Neste momento, Sütter abre a porta de emergência com força. Remington olha e ordena.

– Se quer seu pai vivo, Alex, acabe com esse Vampiro! Pegue-o A2!

– Um guri? – Pensou Sütter quando percebeu que Remington estava falando com o menino Alex, chamando-o de A2 – O alien mais poderoso que o A1 é uma criança?

Ofegante, afinal, mesmo para um vampiro, ter 50 anos já não é mais como antes, o Major não entendia muito bem como o temido A2 podia ser apenas um pré-adolescente de 12 anos.- Você não manda em mim! Eu não quero lutar com ele! – retrucou Alex

– Você não tem escolha moleque. Quer acabar como a sua mãe?- alertou

– Não tenho nada a perder mesmo…

– Ah, tem sim. Seu pai… Você não o conhece, mas ele está vivo. E se não cooperar, mato ele também!

– Você está mentindo!

– Vai pagar pra ver?

Sütter, cansado de ver aquela cena tratou de interromper.

– Já chega! – Gritou o militar ao liberar suas asas, ainda danificadas da última batalha, e voar em direção a Alex e Remington.

O presidente brazileiro correu para fugir da investida de Sütter, enquanto Alex apenas desviou com um movimento suave para a esquerda, fazendo com que o vampiro passasse pelo meio dos dois e desse a volta para atacar novamente.

Remington correu até a Sala de Reunião, abriu a fechadura e pegou Porto, que espiava tudo no local, pelo colarinho e o levantou, para o desespero do brazileiro, que não sabia o que fazer.

– O que está fazendo, Remington? – disse Porto.

– Aqui Alex… Esse é seu verdadeiro pai. – gritou Remington – Diga a ele para enfrentar o vampiro, Porto, ou você morre!

– É… É verdade filho… Por isso você é tão poderoso! É meio humano, meio alien! – revelou Porto, em voz trêmula de medo.

– Pai? – indagou inocentemente Alex.

O Major voltava a atacar, desta vez seu alvo era Alex, já que não queria ninguém em seu caminho para derrotar Remington. Preparou suas unhas afiadas e estava pronto para uma invertida fatal com elas, ao A2. O menino estava hipnotizado com a possibilidade de finalmente ter um pai e nem percebeu o perigo eminente. Mas Porto percebeu. Se soltou da camisa que Remington o segurava e correu em direção a Alex.

– Cuidado Alex! – gritou no momento em que empurrava o garoto para salvá-lo. Mas acabou recebendo um golpe certeiro e mortal de Sütter no lugar do filho. A arranhada foi profunda, como lâminas que retiraram pedaços de peles, músculos e carnes das costas de Porto. Quando caiu no chão, se via uma grande poça de sangue. Alex olhava perplexo. Afinal, aquele que acabara de se tornar seu pai, havia sido assassinado.

Sütter não se arrependeu, sentiu-se aliviado por matar um dos responsáveis pelo atual caos no Brazil em 2047.

Sem falar uma palavra sequer, uma raiva imensurável tomou conta de Alex, que se viu sem pai, nem mãe. Levantou de cara fechada, e com lágrimas nos olhos encarou Sütter.

Remington assistiu tudo e, agora com um sorriso no rosto, pensou.

– Deu certo!

-Esta é uma série de ficção e nada do que foi escrito aqui condiz e/ou foi baseado em fatos reais ou opinião de seus autores. A obra é de direito restrito do site Sintonia Geek Magazine e sua reprodução é regrada à prévia autorização de seus criadores –

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