BRZ 2047 – Capítulo II: O plano

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São Paulo/SP – 12 de janeiro de 2047

A ampla sala de radares se transformou em um ringue de monstros no momento em que o Major Sütter e A1 decidiram resolver velhas pendências ali. Além disso, Sütter estava decidido a tirar as vísceras do presidente Remington e matar Porto, para assim levar os militares novamente ao poder do Brazil. A última vez que um regime militar esteve à frente do país, a ditadura imperou e poucos têm boas lembranças. Mas para os militares sentir o gosto do poder foi algo indescritível.

Do outro lado, A1 tinha o dever de proteger o atual presidente brazileiro, já que era um dos dois seguranças pessoais de Remington. Mas havia também uma questão pessoal envolvida. A1 tentou matar Sütter, pouco depois da vitória do exército do Brazil, na guerra sulista. O vampiro foi a principal estratégia para vencer o Sul, mas A1 sabia que uma hora ele ia se arrepender e tentou cortar o mal pela raiz alí mesmo, em 2020. Não deu. O Major descobriu o plano e se refugiou na Serra Gaúcha.

Frente a frente, Major Sütter e A1 tinham motivos suficientes para travar uma batalha até a morte. O alien tirou toda a roupa, ficou apenas com uma esquisita sunga branca, deixando a mostra as borbulhas pelo seu corpo. Sütter liberou suas enormes asas de morcego e revelou seus caninos afiados.

– Chegou o momento da sua morte, vampiro velho. Vou arrancar sua cabeça! – exaltou A1.

Süter apenas exclamou uma face raivosa. Era o início da batalha!

A1 tomou a iniciativa, lançou seus braços como uma geleia elástica, respingando peles ácidas por todo o lado, que corroíam o chão e as paredes. Sütter voou e retirou sua pistola. Logo atirou três vezes contra a testa de A1, que foi lançado para trás e aterrissou nos computadores, derretendo tudo em que encostava.

– Hahaha… É isso que veio fazer aqui? Atirar em mim com uma 9mm? – disse A1, levantando aos poucos.

– Você não sabe o que te espera – retrucou o vampiro.

– Você também não…

Um jato largo de pele ácida foi atirado contra o Major, que desviou prontamente. No entanto, a visão encoberta pela meleca atirada, desviou a atenção de Sütter, que não viu a agilidade de A1, aparecendo atrás do rival. Foi o momento em que o alien aproveitou para engatar um mata-leão no pescoço do militar. A1 sabia que o único jeito de matar um vampiro é arrancando a cabeça dele. Bala de prata, estaca… Tudo besteira inventada pelo imaginário das pessoas.

À medida que apertava o pescoço com o braço, Sütter cedia e ia perdendo altitude.

– Esse alienígena desgraçado também flutua? Droga! – pensou.

Além da pressão do próprio golpe, a pele jocosa e ácida ia queimando o militar. Era assim que A1 pretendia degolá-lo, derretendo ossos, músculos, tecidos, veias e carne do pescoço. Sütter cedia e gritava de dor a cada segundo, até que ambos chegaram ao chão.

– Você não vai aguentar muito tempo, seu verme. Chegou a sua hora! Morra! – gritou A1.

– AAAAAAAH! – exaltava de dor o militar.

A acidez aumentou, todo o corpo do alien esfumaçava. O Major gritava como a pior queimadura que já tivesse recebido. Era a hora. Ele tirou sua faca do coturno e desferiu uma facada na costela de A1.

– Vai pro inferno, filho da puta. – disse Sütter, quase sem ar.

– Uma faca? Você está de brincadeira comigo, seu lixo? – respondeu A1.

– Uma faca besuntada com óleo de Górgona.

Em um treinamento na Grécia, os militares locais apresentaram a Sütter um templo onde corpos de antigas Gógonas são guardadas. O líquido recolhido do corpo em decomposição pode solidificar qualquer coisa.

A1 sentiu um estalo na costela, e viu seu corpo ficar mais escuro, parar de borbulhar, a acidez cessar e uma dor insuportável da facada.

– O que você fez comigo, seu desgraçado? Aaaaah – disse com muita dor A1, largando o pescoço de Sütter, que havia ficado “no vivo”.

– Um humano normal teria sido transformado em pedra… Mas acho que subestimei você, alienígena maldito. Porém, sua pele agora é mais próxima da humana. Suas células estão se solidificando, como uma borracha – explicou Sütter, ofegante para falar, recuperando o ar e com muito sangue escorrendo do pescoço. – É hora de acabar com isso – concluiu.

A1 sabia que estava derrotado. Não poderia lutar sem seu poder ácido. E aquela facada… Como doeu. Não havia como fugir, o dano não deixava nem ele se arrastar. Então, resolveu deixar um recado:

– Você me pegou vampirinho de merda. Mas agora não terá mais esse óleo. Estão nos vendo pelas câmeras. Remington sabe do seu truque. Não poderá usar isso contra o A2. E não se esqueça, ele é muito mais forte que eu, vai acabar com você num piscar de olhos… Hahahaha – disse, como suas últimas palavras.

Sütter fez cara de poucos amigos e resolveu terminar alí mesmo.

– Ahhh!! – com suas unhas, agarrou a pele borrachuda do alienígena, como quem segura um lençol, e puxou com toda sua força, arrancando todo o tecido, deixando à mostra apenas um organismo roxo como uma geleia, que logo derreteu no chão.

Pegou sua faca em meio àquela gosma roxa, limpou na farda e se preparou para sair, mas com uma dúvida.

– A2? Nunca vi essa criatura… Será realmente tão forte?

-Esta é uma série de ficção e nada do que foi escrito aqui condiz e/ou foi baseado em fatos reais ou opinião de seus autores. A obra é de direito restrito do site Sintonia Geek Magazine e sua reprodução é regrada à prévia autorização de seus criadores –

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